O
conceito de ônibus como modalidade de transporte público
tem sua origem na cidade de Nantes, França onde, em
1826, Stanislav Baudry[1] decidiu estabelecer um transporte
entre o centro da cidade e as instalações de
banhos públicos de sua propriedade em Richebourg,
nos arredores da cidade. O serviço combinava as funções
das carroças hackney com as das diligências
que percorriam uma rota pré-determinada, transportando
passageiros e correio.
O
veículo era dotado bancos de madeira ao longo do veículo
e a entrada era efetuada por trás. O
termo ônibus parece vir do local onde os carros faziam
o ponto final, diante de uma chapelaria, cujo dono, Omnes,
em um jogo de palavras com seu próprio nome, denominou
Omnes Omnibus, "tudo para todos". O nome pareceu
bastante apropriado para o novo transporte coletivo e por
associação foi adotado por este[2]. Em outras
versões da história, porém, ônibus
simplesmente decorre de voiture omnibus ("carro para
todos")[3].
O
aparecimento do ônibus foi fator fundamental para o surgimento
dos serviços de transporte público. Transportar
passageiros demonstrou ser tão economicamente interessante
que Baudry abandonou o negócio dos banhos e passou a dedicar-se
exclusivamente a isso. Foi em Paris, no entanto que ele resolveu
em 1828 fundar, com outros sócios, a Entreprise Générale
des Omnibus.
Seja
por emulação direta ou porque a idéia já pairava
no ar, em 1832 já teriam sido implementados serviços
semelhantes em Bordéus e Lyon. Um jornal de Londres registrou,
no dia 4 de Julho de 1829, que "o novo veículo, chamado
de omnibus, começou a fazer a ligação de Paddington à cidade".
Esse serviço era operado por George Shilibeer.
Cena do cotidiano, onde é visto um ônibus urbano em circulação
no Estado de São Paulo.Em Nova Iorque, foram lançados serviços
de omnibus no mesmo ano, quando Abraham Brower, um empreendedor que organizou
companhias voluntárias de bombeiros, estabeleceu a ligação
ao longo da Broadway começando em Bowling Green; outras cidades americanas
seguiram-se: Filadélfia em 1831, Boston em 1835 e Baltimore
em 1844.
Em
1830, o britânico Sir Goldworthy Gurney desenvolveu uma
longa carruagem movida a vapor[4], provavelmente o primeiro ônibus
motorizado. Mas, nas grandes cidades onde o transporte coletivo
se desenvolvia, a tração animal evoluia para
o transporte sobre trilhos.
Em
1895, Karl Benz criou o primeiro ônibus movido por um motor
a explosão. Dotado de um motor a gasolina de 5cv, o ônibus
de Benz alcançava 15Km/h e transportava até oito
passageiros entre as localidades de Netphen e Deutz[5].
O
serviço de ônibus produziu repercussões na
sociedade e na urbanização. Socialmente, o serviço
colocava pessoas, em intimidade física sem antecedentes,
espremidos uns contra os outros numa pressão democrática
que mesmo a pessoa de classe média com a mentalidade mais
liberal tinha experimentado antes. Só os mais pobres permaneciam
excluídos. Assim surgiu uma nova divisão na sociedade
urbana, dividindo aqueles que possuíam carruagens e os
que não possuíam.
O
serviço de ônibus estendeu o alcance da cidade norte-atlântica,
pós-georgiana e pós-federal. A caminhada da antiga
vila de Paddington à baixa de Londres era dura até para
um jovem em boa condição física. O serviço
de ônibus ofereceu uma nova disponibilidade ao interior
da cidade dos seus subúrbios mais próximos.
Uma
urbanização mais intensa seguiu-se. Dentro de poucos
anos, o serviço de ônibus de Nova Iorque tinha como
rival o eléctrico (bonde): o seu primeiro serviço
percorria a rua Bowery, que oferecia uma grande melhoria nas
condições por percorrer sobre carris de ferro em
vez de andar sobre estradas de blocos de granito, o que traduzia-se
numa viagem mais suave. Os novos eléctricos foram financiados
por John Mason, um banqueiro rico, e construídos por John
Stephenson, um empreiteiro Irlandês.
Quando
os transportes motorizados comprovaram o seu valor após
1905, um omnibus motorizado era, por vezes, intitulado autobus.